10/02/12

Rubem Alves e os vestibulares


Mais uma vez esse escritor teve a sensibilidade de dizer algo necessário:  o atraso de vida dos vestibulares. Lendo seu texto me lembrei da pressão e dos meses de angústia que passei, principalmente no meu ultimo ano do ensino médio. Os professores, educados pra isso, educavam-nos para o vestibular e não para as curiosidades da vida. Mesmo que gostassem de suas respectivas matérias, quase nunca conseguiam passar pra gente o por que gostavam. O que era prazeroso estudar nos problemas de físico-química, ou na complicada trigonometria, ou nos quase indecifráveis exercícios de física. Não havia tempo e não eram pagos pra isso. Afinal, precisávamos estudar para  o vestibular e não para tomar gosto pela coisa, ou para que tivéssemos nossa criatividade e imaginação aguçadas. Precisávamos entender na marra ou então iríamos nos sentir humilhados com a reprovação do bendito processo. Ter negado o passaporte para o ensino superior seria o fracasso  dos esforços de 11 anos de estudo. A vergonha perante a família, amigos e toda a sociedade. O terrorismo estava e continua implantado nos modelos de ensino de nosso país.  Ninguém está preocupado de nos ensinar a sermos nós mesmos da melhor maneira possível. A nossa educação nos ensina apenas que temos que ser os melhores, não importa quem  você é. Esse grau comparativo só daria certo mesmo se todos nós tivéssemos nascidos iguais, cópias uns dos outros. No entanto, o processo que nos encontramos é o inverso: nascemos originais e infelizmente,  morremos cópias. A educação está matando nossa capacidade de sermos nós mesmos. Resultado disso? Um bando de gente de meia idade infeliz com a própria vida, com suas escolhas e respectivas profissões.  
Um bom exemplo de “desmancha prazer” de nossas escolas  é acabar com a possibilidade de ter  vontade de ler bons livros de literatura, antes mesmo que essa vontade surja.  De birra, eu não quis ler nenhum livro de Machado de Assis ou Eça de Queiroz ou Euclides da Cunha para o vestibular.  Li resumos.  O professor já dizia: São difíceis, mas é necessário se quiserem passar no vestibular. Pronto! A barreira já havia sido colocada.  Fui ler esses livros depois da faculdade, quando ninguém mais me dizia o que eu tinha ou não que ler para ser a melhor! E a propósito:  isso foi um enorme prazer.
Parabéns mais uma vez Rubem Alves, por essas reflexões! Quem sabe um dia, possamos ter a educação que realmente merecemos!
TEXTO RUBEM ALVES: http://www.rubemalves.com.br/osorteio.htm

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