Mais uma vez esse escritor teve a sensibilidade de dizer
algo necessário: o atraso de vida dos
vestibulares. Lendo seu texto me lembrei da pressão e dos meses de angústia que
passei, principalmente no meu ultimo ano do ensino médio. Os professores,
educados pra isso, educavam-nos para o vestibular e não para as curiosidades da
vida. Mesmo que gostassem de suas respectivas matérias, quase nunca conseguiam
passar pra gente o por que gostavam. O que era prazeroso estudar nos problemas
de físico-química, ou na complicada trigonometria, ou nos quase indecifráveis
exercícios de física. Não havia tempo e não eram pagos pra isso. Afinal, precisávamos estudar
para o vestibular e não para tomar gosto
pela coisa, ou para que tivéssemos nossa criatividade e imaginação aguçadas. Precisávamos
entender na marra ou então iríamos nos sentir humilhados com a reprovação do
bendito processo. Ter negado o passaporte para o ensino superior seria o
fracasso dos esforços de 11 anos de
estudo. A vergonha perante a família, amigos e toda a sociedade. O terrorismo estava e continua implantado nos modelos de ensino de
nosso país. Ninguém está preocupado de
nos ensinar a sermos nós mesmos da melhor maneira possível. A nossa educação
nos ensina apenas que temos que ser os melhores, não importa quem você é. Esse grau comparativo só daria certo
mesmo se todos nós tivéssemos nascidos iguais, cópias uns dos outros. No
entanto, o processo que nos encontramos é o inverso: nascemos originais e
infelizmente, morremos cópias. A
educação está matando nossa capacidade de sermos nós mesmos. Resultado disso?
Um bando de gente de meia idade infeliz com a própria vida, com suas escolhas e
respectivas profissões.
Um bom exemplo de “desmancha prazer” de nossas escolas é acabar com a possibilidade de ter vontade de ler bons livros de literatura,
antes mesmo que essa vontade surja. De
birra, eu não quis ler nenhum livro de Machado de Assis ou Eça de Queiroz ou
Euclides da Cunha para o vestibular. Li
resumos. O professor já dizia: São
difíceis, mas é necessário se quiserem passar no vestibular. Pronto! A barreira
já havia sido colocada. Fui ler esses
livros depois da faculdade, quando ninguém mais me dizia o que eu tinha ou não
que ler para ser a melhor! E a propósito: isso foi um enorme prazer.
Parabéns mais uma vez Rubem Alves, por essas reflexões! Quem
sabe um dia, possamos ter a educação que realmente merecemos!
TEXTO RUBEM ALVES: http://www.rubemalves.com.br/osorteio.htm
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